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QUARESMA – TEMPO DE APROXIMAR-NOS DE JESUS. E DE CRESCER…

fevereiro 21, 2021

Somos cristãos, pela graça de Deus. Membros da Igreja, comunidade de pessoas que creem em Jesus, o adoram, o amam, querem caminhar com ele na amizade e comunhão de ideais e objetivos. De verdade, não de mentirinha. Para isto a Mãe Igreja nos acompanha e alimenta orientada pelo seu projeto do ano litúrgico.

O tempo quaresmal é um tempo especial para aproximar-nos um pouco mais de Jesus, e crescer no conhecimento, amor e imitação de sua pessoa. Ele veio revestido de nossa carne e habitou no meio de nós para mostrar-nos como é possível sermos gente honesta, respeitar o outro, ajudá-lo e viver a fraternidade entre todos os homens. Coisa que os egoístas e orgulhosos nunca conseguirão. Somente o conseguem os humildes e generosos. Através da penitência e da oração. É a lição da história.

 

PENITÊNCIA:

Jejum, abstinência, mortificação dos sentidos, são práticas que nos ajudam no robustecimento da bondade de coração. Isaias nos exorta a praticar as obras de misericórdia com o próximo. Mas Jesus quer muito mais. Quer atrair-nos, manifestando seu amor: Por amor decide sair da gloria do Pai e vir salvar-nos; por amor se fez igual a nós em tudo menos no pecado; por amor vive o processo e as etapas da vida humana; vive as experiências e contradições de um mundo em luta; se aproxima de nós, nos abre o coração, conforta, acompanha até chegar à gloria do céu. Jesus é, portanto a figura central de nossa existência. E a Quaresma é um tempo intensivo para aproximar-nos mais um pouco de Jesus, que fez tudo por amor

 

AMOU-NOS ATÉ O EXTREMO Jo 13.1

Por amor também sofreu por nós. E como ele sofreu!: maus entendidos, desprezos, perseguições, ameaças de morte e sobretudo as terríveis horas da  paixão e da morte.

Jesus foi executado numa cruz. Era preciso eliminá-lo aterrorizando seus seguidores e simpatizantes, temidos como elementos rebeldes em potencial contra Roma. Nada mais eficaz para isto do que a crucificação pública de seu líder. Jesus. E que crucificação era aquela dos romanos! Infligiam todo tipo de sofrimentos: psicológicos, físicos, espirituais. Coitado Jesus! Como sofreu! O filme de Mel Gibson sobre a paixão de Cristo manifesta com realismo tanto sofrimento. Por amor de mim! Para me salvar! Sabendo Jesus que chegara sua hora de passar deste mundo ao Pai, como amasse os seus que estavam no mundo, até o extremo os amou, nos diz o evangelista João, que observou tudo de perto.

Qual deverá ser, pois, nossa resposta? Pelo menos vamos tomara a sério nossa conversão do coração como a Igreja nos exorta. Sem perder a esperança de dias melhores. Detestando o mal e abraçando o bem. Jesus é paciente conosco e nunca nos abandona. Mostra-o no glorioso desfecho pascal manifestando-se aos discípulos de Emaús.

 

FÉ MORNA, APAGADA

Cléofas e o companheiro, abandonam o grupo que se encontra reunido em Jerusalém. Caminham com rosto entristecido. Seu estado de ânimo, após a crucificação de Jesus é de desolação e desesperança. Sua fé em Jesus apagou-se. Já não esperam em nada. Aparentemente tem tudo quanto poderia levá-los à fé em Jesus: Conhecem as Escrituras, conviveram com Jesus, ouviram sua mensagem, viram-no atuar como um profeta poderoso, ouviram o anúncio pascal das mulheres que dizem que o crucificado está vivo, e o de seus companheiros confirmando que o sepulcro está vazio. Tudo é inútil. Sua fé continua morta. Falta-lhes reconhecer a presença do Ressuscitado em suas vidas, encontrar-se pessoalmente com Cristo vivo. Embora tristes e desalentados, continuam lembrando Jesus e conversam e discutem sobre ele. Enquanto caminham o Ressuscitado se aproxima, entra na conversa e os convida a recordar o que aconteceu. Eles relembram tudo e então falam ao desconhecido sobre Jesus de Nazaré: Foi um profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; mas os dirigentes religiosos o crucificaram acabando com suas expectativas de que iria libertar Israel; nem a notícia de que estava vivo conseguiu reavivar sua fé. É, então, que Jesus começa a explicar-lhes, à luz das Escrituras, o verdadeiro sentido dos acontecimentos e da paixão e ressurreição do Messias.

 

MAS JESUS NÃO NOS ABANDONA

O que o evangelista Lucas sugere é de vital importância para nós: Lá onde um grupo de pessoas caminha pela vida procurando descobrir o significado das palavras e obras do profeta Jesus de Nazaré, lá onde se faz memória da sua paixão e se ouve a notícia de sua ressurreição, ali se faz presente o Ressuscitado. É uma presença real de alguém que nos acompanha no caminho; uma presença não fácil de perceber porque nossos olhos podem estar opacos para reconhecê-lo; uma presença que nos convida a aceitar que somos “tardos de coração” para crer. Mais tarde os dois discípulos confessarão que enquanto Jesus lhes falava pelo caminho “seu coração ardia dentro deles”. Um caminho para encontrar-nos com Cristo e sentir que nosso coração se inflama com a sua presença, é reunir-nos em seu nome, ler os evangelhos procurando descobrir o sentido profundo de suas palavras e de seus atos, lembrar com gratidão sua crucificação e ouvir com coração confiante o anúncio da sua ressurreição.

E além disso é necessária a experiencia da ceia eucarística para perceber a presença do Senhor, não só como alguém que ilumina nossa vida com sua palavra mas como alguém que nos alimenta em sua ceia. É o que sugere o relato evangélico. Os discípulos pedem ao cordial viajante que não os abandone. E Jesus entra para pernoitar com eles. Os três caminhantes sentam-se à mesa para cear juntos como amigos e irmãos. Quando Jesus toma o pão, pronuncia a benção, parte-o e dá, abrem-se-lhes os olhos e o reconhecem. Recuperam o sentido de sua vida, Jesus é sua vida. Retornam à comunidade de discípulos e contam o que lhes aconteceu no caminho e como o reconheceram ao partir o pão. Testemunhando este acontecimento estão evangelizando.

 

RECUPEROU-NOS NA IGREJA, COMUNIDADE DE FÉ E AÇÃO SALVADORA

E com a Igreja, na caminhada quaresmal em vista da Páscoa, celebramos com gratidão a memória dos sofrimentos da alma e do corpo do Senhor Jesus e proclamamos sua ressurreição gloriosa.

Neste ano de 2021 a Campanha da Fraternidade convida as comunidades de fé e as pessoas de boa vontade a refletirem e descobrirem caminhos para superarem as diferenças e violências presentes em nossa sociedade, através do diálogo amoroso, esforçando-nos para viver a unidade na diversidade. Pois todos somos irmãos.

Para alcançar de algum modo esta meta são propostas várias linhas de ação: Redescobrir a força e a beleza do diálogo como caminho de relações mais amorosas; denunciar as diferentes violências praticadas e legitimadas indevidamente em nome de Jesus; comprometer-nos com as causas que defendem a casa comum; contribuir para superar as desigualdades sociais; praticar e animar o engajamento em ações concretas de amor e serviço ao próximo; viver e promover a cultura do amor; fortalecer a convivência ecumênica e inter-religiosa; estimular e praticar o diálogo e a convivência fraterna num mundo cada vez mais plural; compartilhar experiências concretas de diálogo e convívio fraterno.

Inspirado por autores competentes e amantes de Jesus, pela Santa Madre Igreja e pela contemplação da pessoa amorosa e das ações de Jesus ofereço aos meus leitores estas modestas linhas que possam ajudar-lhes a amar e servir.

Rio de Janeiro, Páscoa  de 2021

Pe. Javier Pérez Enciso , S.J.

 

 

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