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MARIA, MÃE SEMPRE AMOROSA E DISPONÍVEL

maio 12, 2021

O povo de Deus canta alegremente:

“Eu vim para que todos tenham vida,

Que todos tenham vida plenamente”.

É a celebração gozosa de saber-nos amados. Deus me amou tanto que enviou seu Filho. Jesus me amou tanto que quis ser como a gente de carne e ossos, participar de nossas limitações, sofrer, caminhar conosco, sem poupar esforços. Certo dia na minha meditação diária, perguntei-me: que mais podia fazer o Senhor Jesus por mim; não tem amor maior que doar a vida pelo irmão, que mais poderia eu querer? Um abraço, disse a Jesus. No instante ele abraçou-me com um largo sorriso. Jesus, que fez tudo por nós, não nos deixou órfãos mas quis ficar conosco em milhões de sacrários esparsos pelo planeta.

E Maria, nossa Mãe: Com a sua assunção aos céus nos deixou órfãos? Ela se faz presente adaptando-se à nossa pequenez, me ouve, conforta, cura, faz feliz, acolhe no seu colo, transporta á glória com ela., Muitas vezes me surpreendi derramando meus olhares sobre os milhões de imagens e sinais que, espalhados sobre o tempo e o espaço, nos falam da presença de Maria: pelos caminhos e florestas; pelas ruas e praças das cidades e lugarejos; pelas casas, pelas lojas, nos nossos bolsos e carteiras; nas catedrais, basílicas, templos, santuários, oratórios, em toda parte pode experimentar o perfume da presença de Maria que está nos céus e que nos faz sentir na Terra. E podemos cantar saboreando uma música como esta que muito fala ao meu coração: “Ó Maria, mãe minha,/ ó consolo do mortal,/ amparai-me e guiai-me/ à pátria celestial”.

A Igreja universal, os cristãos, seguindo tradição de muitos séculos, honram com carinho filial nossa Mãe e Senhora. E lhe confiam suas angústias, suas esperanças, suas alegrias, seus amores. Fala-se que, já pelos anos 1990 (1), em Guadalupe, México, a Virgem atraía sete milhões de peregrinos ao ano, em Lourdes (França), quatro milhões e meio, em Aparecida, Brasil, seis milhões.

Para estímulo de nossa devoção e entrega a Maria no serviço aos irmãos, relatamos a seguir alguns exemplos que fazem história:

MARIA VISITA AS AMÉRICAS: A SEMPRE VIRGEM MÃE DE DEUS

Na primeira aparição (foram quatro), na manhã de 9.12.1531, o índio João Diego se dirigia à igreja de Santa Cruz de México para assistir às aulas de catecismo. Ao passar perto da colina de Tepeyac ouviu um suave gorjeio de passarinhos belíssimos. João Diego começou a se perguntar: Onde estou? Será que estou sonhando? De repente o canto parou e ouviu uma voz vinda do alto que o chamava “Juanito, Juan Dieguito”. Sem um pingo de medo, contente, caminhou em direção à colina. Quando chegou ao alto viu uma senhora de pé, de grande beleza, que o convidava a aproximar-se. As sua vestes eram brilhantes como o sol, a rocha onde pousavam seus pés parecia um colar de pedras preciosas e a terra resplandecia como o arco-iris. João Diego ajoelhou-se e escutou a sua palavra doce e delicada: Joãozinho, o menor dos meus filhos, para onde estás indo? Ele respondeu: Minha senhora e minha menina, devo ir a tua casa de Tatlelolco (México) para estudar os divinos mistérios que nos são ensinados pelos nossos sacerdotes. Ela lhe manifestou seu desejo: Fique gravado em teu coração, o menor de meus filhos, que sou a sempre virgem Santa Maria, mãe do verdadeiro Deus, fonte de vida, do Criador que tudo compreende, o Senhor do céu e da terra. Desejo que se construa aqui um templo onde eu possa mostrar e oferecer todo o meu amor, a minha compaixão, o meu auxílio e proteção, pois sou a vossa mãe misericordiosa, a ti, a todos os habitantes desta terra e aos outros devotos que me invocarem confiantes; onde eu possa ouvir as suas queixas e dar remédio às suas dores, a todas as dificuldades e sofrimentos. Irás ao palácio do Bispo e lhe dirás que fui eu que te mandei e que desejo que ele me construa um templo na esplanada… O bispo, para verificar a coisa, lhe pediu um sinal. Dias depois João Diego subiu à árida colina para colher o “sinal” que o bispo pediu: belas e frescas rosas de Castela, desabrochadas fora da estação, perfumadas e cheias de orvalho. Colocou-as no manto (tilma) em seguida chegou à presença do bispo Frei João de Zumárraga, abriu o manto e assim que as rosas caíram no chão, apareceu sobre o manto a belíssima imagem da sempre Virgem Mãe de Deus, que ainda hoje pode ser vista no santuário de Tepeyac (Guadalupe). Dias depois João Diego celebrava a cura milagrosa de seu tio João Bernardino, obtida pela intercessão de Maria. (2)

APARECIDA DO BRASIL: O SORRISO COMPASSIVO DA MÃE DE DEUS.

Outubro de 1717. Dom Pedro de Almeida e Portugal, governador das Capitanias de São Paulo e Minas Gerais chegou a Guaratinguetá onde permaneceu do dia 17 até o 30. Neste tempo a Câmara Municipal convocou os pescadores da região para apanharem a maior quantidade possível de peixes para a mesa do governador e sua comitiva. Três deles ficaram conhecidos: Domingos Martins Garcia, Filipe Pedroso e João Alves. Entrando em suas canoas, encomendaram-se a Deus e à proteção da Senhora da Conceição. “Começaram a lançar suas redes no Porto de José Correa Leite, continuaram até o Porto de Itaguaçu sem tirar peixe algum. Lançando João Alves neste Porto a sua rede de rastro, tirou o corpo da Senhora, sem cabeça. Lançando mais abaixo outra vez a rede tirou a cabeça da mesma Senhora, não se sabendo nunca quem ali a lançara. Ele guardou a imagem envolta num pano, e continuando a pescaria, dali por diante foi tão copiosa a pescaria em poucos lanços que, receosos ele e os companheiros de naufragarem pelo muito peixe que tinham nas canoas, se retiraram para suas vivendas, admirados deste sucesso”. (3)

Logo se espalhou a notícia que três humildes e pobres pescadores tinham apanhado uma imagem da Senhora da Conceição e que as preces feitas a Deus por sua intercessão eram logo atendidas. E a fama de seus milagres se espalhou por toda parte. Felipe Pedroso, o mais velho dos pescadores, levou a pequena imagem partida para sua casa, no Ribeirão do Sá. Tomou-a em suas mãos colando a cabeça ao tronco com cera de abelha arapuá. Depois, fitando seu rosto, percebeu nos lábios entreabertos da imagem o sorriso compassivo da Mãe de Deus. Colocando-a em seu oratório doméstico, ele, sua família e os vizinhos a se reunirem a rezar o terço e cantar hinos de louvor. Assim nascia a devoção familiar a Maria honrada contemplando aquela imagem, que passou a ser invocada com o título de Nossa Senhora da Conceição Aparecida.

LOURDES: EU SOU A IMACULADA CONCEIÇÃO

Onze de fevereiro de 1858. Bernadete, 14 anos, filha de Francisco Soubirous, dono fracassado de um moinho e a pessoa mais pobre da cidade, saiu de casa para apanhar um pouco de lenha ou de ossos: a lenha para aquecer a habitação e os ossos para vender. Acompanham-na a irmã Maria e a amiga Joana Abadia que atravessaram o canal do moinho  a vau. Quando elas chegavam em frente à gruta de Massabielle, Bernadete parou para tirar os sapatos, atravessar o canal e seguir as companheiras. E eis que ouve um barulho “como se fosse um vento forte”, mas ela percebe que as árvores não se mexem. A rajada do vento se repete, o nicho da gruta se ilumina suavemente, e na luz vê uma jovem maravilhosa, vestida de branco, que lhe sorri e lhe faz sinal para que se aproxime; uma faixa azul lhe prende a cintura e sobre cada um dos pés pousa uma rosa amarela, cor da corrente do seu rosário. Bernadete acha que está vendo alguma miragem; esfrega os olhos, tira o terço do bolso e reza-o diante da visão. (4)

De 19 de fevereiro a 4 de março houve quinze aparições. Em uma delas a vidente descobre a fonte indicada pela Senhora: “Vai beber à fonte e lava-te”; e recebe outros convites: “Reza pela conversão dos pecadores”; “beija o chão em penitência pelos pecadores”; Penitência, penitência, penitência!”. A 2 de março recebe uma ordem: “Vai dizer aos sacerdotes que venham aqui em procissão e que se edifique aqui uma capela”.

A afluência de pessoas à gruta aumenta apesar das reservas do pároco e da oposição da autoridade civil. Na quinta feira, 25 de março, Bernadete sente-se novamente atraída pela gruta e pergunta quatro vezes pela identidade de “Aquela” que lhe fala, agora com uma resposta singular: “Eu sou a Imaculada Conceição”. Com estas palavras Maria se define pela primeira graça por ela recebida.

Como se pode ver, Lourdes atualiza as mensagens do Evangelho: As mensagens de penitência e conversão (Mt 3), da bem-aventurança dos pobres, da oração, da graça (Mt 5-6).

Em Lourdes a presença invisível de Maria se fez permanente, atual; e totalmente orientada para Cristo. A oração se concentra na Eucaristia: Missa diária à noite, prolongada pela procissão com o santíssimo Sacramento que é apresentado a cada doente; é o momento privilegiado para as curas que estão visivelmente ligadas à presença de Jesus. E a Eucaristia, presença viva de Cristo, irradia-se sobre os outros sacramentos: o da reconciliação na capela (lugar onde ocorre o maior número de confissões do mundo) e a unção dos enfermos e idosos. E noite adentro as pessoas passam em filas contínuas pela gruta para beijarem aquela pedra, testemunha e sinal da presença de Maria e recordação de sua ordem a Bernadete: “Beija a terra como penitência pela conversão dos pecadores”.

Concluamos cantando confiantes esta ou outra canção à Nossa Senhora: Ó Maria, mãe minha,/ ó consolo do mortal,/ amparai-me e guia-me/ à pátria celestial

 

Notas: 1,2,3,4: Ver Dicionário de Mariologia, Paulus 1995

Rio de Janeiro 1° de maio de 2021

Pe. Javier Pérez Enciso S.J.

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